O que são stablecoins: USDT vs USDC e como usar no Brasil

Por Equipe Vault Capital·Publicado em ·Atualizado em ·7 min de leitura·Também disponível em English

Stablecoins são criptoativos desenhados para manter preço fixo em relação a uma moeda, quase sempre o dólar americano. Cada USDT ou USDC vale, por construção, US$ 1, e o emissor promete guardar em reserva um dólar (ou um título equivalente) para cada token em circulação. A paridade depende dessa promessa, não de um mecanismo automático. Ao longo do texto você vê como o investidor brasileiro usa esses ativos, como a paridade se sustenta, o que separa USDT, USDC, BRZ e Drex, quais riscos existem de fato e como fica o imposto na hora de vender.

Para que o investidor brasileiro usa stablecoins

Três usos concentram quase todo o volume.

O primeiro é estacionar caixa entre operações. Quem vende bitcoin e não quer voltar para reais naquele momento converte o valor em stablecoin. Isso evita duas conversões cambiais e o spread de cada uma.

O segundo é exposição ao dólar. Comprar USDC com reais equivale, para fins práticos, a manter dólares em uma carteira digital, sem abrir conta no exterior. O saldo não rende nada por si só. O resultado em reais depende apenas da variação cambial.

O terceiro é servir de ponte para enviar dinheiro. A pessoa compra USDT em uma corretora brasileira, transfere o token pela blockchain e converte em moeda local do outro lado. Os custos e as regras desse caminho estão em enviar dinheiro para o exterior com stablecoin.

O mercado de criptoativos envolve riscos elevados, incluindo volatilidade significativa e possibilidade de perda do capital investido. Isso vale para stablecoins também.

Como a paridade se mantém: emissão, queima e reservas

O mecanismo básico se chama emissão e queima (mint and burn). Um cliente institucional deposita US$ 1 milhão na Circle; a Circle cria 1 milhão de USDC. Quando esse cliente resgata, a Circle queima os tokens e devolve os dólares. O número de tokens em circulação acompanha o valor das reservas.

As reservas são o ponto central. Em setembro de 2026, a Circle mantém o lastro do USDC em caixa e títulos curtos do Tesouro americano, com atestação mensal da Deloitte. A Tether informou cerca de US$ 141 bilhões em títulos do Tesouro no relatório do primeiro trimestre de 2026, além de bitcoin, ouro e empréstimos garantidos, com atestação trimestral da BDO Italia. Atestação não é auditoria completa: é um retrato das reservas em uma data.

USDT, USDC, BRZ e BRLA, Drex: o que muda entre eles

Ativo Emissor Lastro Verificação Onde negocia Uso típico
USDT Tether (El Salvador e Ilhas Virgens Britânicas) Títulos do Tesouro dos EUA, bitcoin, ouro, empréstimos garantidos Atestação trimestral (BDO Italia) Praticamente todas as exchanges, ~US$ 190 bi em circulação Caixa entre operações, remessas, liquidez
USDC Circle (Estados Unidos) Caixa e títulos curtos do Tesouro dos EUA Atestação mensal (Deloitte) Grandes exchanges e DeFi, ~US$ 78 bi em circulação Exposição ao dólar com mais transparência
BRZ e BRLA Transfero (BRZ) e Avenia (BRLA) Reais em caixa e títulos públicos Relatórios dos emissores Exchanges brasileiras e DeFi, circulação pequena Pagamentos em real on-chain
Drex Banco Central do Brasil Passivo do próprio Banco Central Não se aplica Não negociado; piloto restrito Infraestrutura para instituições, sem data de lançamento

Os números de circulação são de abril de 2026. O Drex não é stablecoin privada, e sim o projeto de moeda digital do Banco Central: em novembro de 2025 o BC desativou a plataforma das duas primeiras fases do piloto, e em setembro de 2026 não há data pública de lançamento.

Os riscos que existem de fato

Depeg. Em 11 de março de 2023, a USDC caiu para cerca de US$ 0,88 depois que a Circle informou ter US$ 3,3 bilhões das reservas presos no Silicon Valley Bank, fechado pelos reguladores naquela semana. A paridade voltou em três dias, quando o governo americano garantiu os depósitos. Quem vendeu no pânico realizou perda de cerca de 12%.

Risco de emissor. O token é uma promessa da empresa que o emitiu. Tether e Circle podem congelar endereços a pedido de autoridades, e já fizeram isso. Se o emissor quebrar, não há FGC no Brasil nem FDIC nos Estados Unidos cobrindo o detentor do token.

Risco de custódia. Stablecoin parada em exchange soma o risco do emissor ao risco da corretora. Em carteira própria, a segurança depende das suas chaves. O tema está em custódia de criptoativos: autocustódia ou terceirizada.

Risco regulatório. Desde 2 de fevereiro de 2026, a Resolução BCB nº 521/2025 trata a compra, a venda e a troca de ativos virtuais referenciados em moeda fiduciária, além das transferências para carteira de autocustódia e para o exterior, como operações de câmbio. Em setembro de 2026, o decreto que cobraria IOF de 3,5% na compra de stablecoins segue suspenso, mas o tema pode voltar.

Imposto ao vender stablecoin

Em setembro de 2026, vender stablecoin (ou trocá-la por outro criptoativo) é uma alienação para a Receita Federal. O ganho é a diferença entre o valor de venda em reais e o custo de aquisição em reais. Se a USDC foi comprada a R$ 5,00 e vendida a R$ 5,40, há ganho de 8%, ainda que o token continue valendo US$ 1.

Quando a soma de todas as alienações de criptoativos no mês fica em até R$ 35.000, o ganho é isento. Acima disso, incide 15% sobre o ganho até R$ 5 milhões, com alíquotas progressivas nas faixas superiores, e o DARF vence no último dia útil do mês seguinte. A MP 1.303/2025, que tentou trocar esse regime por alíquota única de 17,5% sem isenção, perdeu a validade em outubro de 2025.

Desde julho de 2026, a DeCripto (Instrução Normativa RFB nº 2.291/2025) substituiu a IN 1.888 como declaração mensal de operações, e o saldo continua entrando na declaração anual em "Bens e direitos", grupo 08, código 03. O passo a passo está em como declarar criptomoedas no Imposto de Renda. Confirme os limites com um contador ou pela ferramenta Vault Tax antes de calcular o imposto.

Perguntas frequentes

Stablecoin rende alguma coisa?

Não por si só. Um saldo de USDC parado acompanha apenas a variação do dólar contra o real. Rendimento aparece quando o token é emprestado ou depositado em algum protocolo, e aí o risco passa a ser o do protocolo ou da plataforma.

USDT ou USDC: qual é mais segura?

A USDC tem lastro mais simples (caixa e títulos curtos do Tesouro americano) e atestação mensal. A USDT tem lastro mais diverso e maior liquidez global. Nenhuma das duas é garantida por governo, e muitos investidores dividem o saldo entre ambas.

Stablecoin é a mesma coisa que Drex?

Não. Stablecoin é emitida por empresa privada e depende das reservas dela. O Drex é um projeto do Banco Central, ainda em piloto, e seria um passivo do próprio BC. Em setembro de 2026, o público não consegue comprar ou usar Drex.

Preciso declarar stablecoin no Imposto de Renda?

Sim. O saldo entra em "Bens e direitos" pelo custo de aquisição em reais, e as vendas do mês precisam ser apuradas para verificar se houve ganho tributável. O cálculo pode ser feito pelo Vault Tax ou por um contador, que valida o resultado.

Vamos conversar

Decidir quanto do patrimônio deixar em stablecoin, em qual emissor e em qual custódia é uma escolha de alocação, não apenas técnica. A Vault Capital, consultoria de valores mobiliários autorizada pela CVM nos termos da Resolução CVM nº 19/2021, ajuda o investidor a montar essa estratégia sem nunca custodiar os ativos. Conheça a consultoria de criptoativos e veja como o processo funciona.

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